Um Sonho de Esperança
Ainda
me lembro daqueles tempos, quando ainda era jovem e morava numa cidadezinha no
nordeste, não tinha nem ideia do tamanho desse país. Minha família era pobre,
desce cedo tive que trabalhar na roça, fui ensinado e casa mesmo, não tinha nem
como ir para escola. Estava cansado daquela vida, peguei todo meu dinheiro, que
não era muito, resolvi viajar, ir para cidade grande, ver se conseguia um bom
emprego, fui para São Paulo.
Depois
de horas de viagem, cheguei na cidade, que não era nada como o interior, todo
mundo com pressa, as ruas lotadas de carros e pessoas, parecendo um bando de
formigas. O ar era pesado, ficava até difícil respirar, estava assustado, me
sentindo perdido, mas ainda assim, estava feliz por estar ali.
Primeiro
problema, eu não tinha nem onde morar, não conhecia ninguém naquele lugar, e
tinha que fazer meu dinheiro durar, achei um hotel qualquer para passar a
noite. O prédio estava maltratado, e o quarto pior, paredes todas rachas, a
lâmpada do banheiro estava queimada e o colchão tinha buracos, mas foi ali que
passei minha primeira noite.
Passei
as seguintes semanas procurando por emprego, mas sem muita sorte, por mais que
o lugar estivesse anunciando no jornal, ou uma placa na frente escrito
“Precisa-se de garçom.”, sempre me diziam que a vaga já estava preenchida, ou
que eu não era exatamente o que procuravam, alguns me olhavam com desgosto assim
que eu começava a falar. Já estava ficando sem dinheiro, até que consegui um
emprego numa construtora civil.
Eles
aceitavam qualquer um, desde que conseguisse agüentar o trabalho, que era
puxado, carregar tijolos, sacos de cimento, era difícil, mas já estava
acostumado. O pagamento não era muito bom, mas já servia para pagar o hotel,
que já era como minha casa.
Nas
horas de folga do trabalho, conversava com os outros construtores, fiquei bem
amigo de um deles, Pablo, que tinha várias idéias para começar negócios, ele
queria sair dali o mais rápido possível, mas faltava dinheiro. Nós decidimos
começar um negócio juntos, me mudei para seu apartamento, deixando o aluguel
mais barato para nós dois, e começamos a juntar dinheiro.
Resolvemos
abrir um barzinho, Pablo cuidava da comida, e eu do caixa, conseguimos até um
bom número de clientes, porém, alguns ainda tentavam me enganar, conseguir
alguns reais, alguns diziam que o troco estava errado, ou que não tinham pedido
tal coisa, achavam que podiam me enganar só por causa da minha língua.
Com
o tempo, fechamos o bar e abrimos um restaurante, Pablo era um bom cozinheiro,
e eu apesar de ainda ter o sotaque, já falava mais corretamente. O restaurante
estava progredindo rápido, em pouco tempo, já tínhamos garçons e outros
cozinheiros, e uma boa fama na cidade.
Infelizmente,
o sucesso não atrai apenas clientes, um dia, Pablo ficou até mais tarde no
restaurante, e, ao sair, foi atacado e morto por dois assaltantes enquanto
fechava as portas. Com a perda do principal cozinheiro, o restaurante foi
perdendo clientes, funcionários saíram, acabei sozinho, sem meu melhor amigo,
não sabia o que fazer, me sentia perdido.
Então,
tive uma ideia, me lembrei das minhas raízes, da minha família no nordeste, e
decidi, ia continuar com o restaurante, mas ia fazer dele um restaurante
especializado em comida nordestina
A
mudança fez bastante sucesso, em pouco tempo o restaurante já tinha voltado a
ser como era antes, e eu, continuei trabalhando lá por muitos anos. Agora, com
licença, tenho que ir trabalhar.
Um comentário:
oi gente, o blog está bem legal...podem colocar mais textos sobre os gostos pessoais de vocês.
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