quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Preconceito Linguístico



Um Sonho de Esperança

         Ainda me lembro daqueles tempos, quando ainda era jovem e morava numa cidadezinha no nordeste, não tinha nem ideia do tamanho desse país. Minha família era pobre, desce cedo tive que trabalhar na roça, fui ensinado e casa mesmo, não tinha nem como ir para escola. Estava cansado daquela vida, peguei todo meu dinheiro, que não era muito, resolvi viajar, ir para cidade grande, ver se conseguia um bom emprego, fui para São Paulo.
         Depois de horas de viagem, cheguei na cidade, que não era nada como o interior, todo mundo com pressa, as ruas lotadas de carros e pessoas, parecendo um bando de formigas. O ar era pesado, ficava até difícil respirar, estava assustado, me sentindo perdido, mas ainda assim, estava feliz por estar ali.
         Primeiro problema, eu não tinha nem onde morar, não conhecia ninguém naquele lugar, e tinha que fazer meu dinheiro durar, achei um hotel qualquer para passar a noite. O prédio estava maltratado, e o quarto pior, paredes todas rachas, a lâmpada do banheiro estava queimada e o colchão tinha buracos, mas foi ali que passei minha primeira noite.
         Passei as seguintes semanas procurando por emprego, mas sem muita sorte, por mais que o lugar estivesse anunciando no jornal, ou uma placa na frente escrito “Precisa-se de garçom.”, sempre me diziam que a vaga já estava preenchida, ou que eu não era exatamente o que procuravam, alguns me olhavam com desgosto assim que eu começava a falar. Já estava ficando sem dinheiro, até que consegui um emprego numa construtora civil.
         Eles aceitavam qualquer um, desde que conseguisse agüentar o trabalho, que era puxado, carregar tijolos, sacos de cimento, era difícil, mas já estava acostumado. O pagamento não era muito bom, mas já servia para pagar o hotel, que já era como minha casa.
         Nas horas de folga do trabalho, conversava com os outros construtores, fiquei bem amigo de um deles, Pablo, que tinha várias idéias para começar negócios, ele queria sair dali o mais rápido possível, mas faltava dinheiro. Nós decidimos começar um negócio juntos, me mudei para seu apartamento, deixando o aluguel mais barato para nós dois, e começamos a juntar dinheiro.
         Resolvemos abrir um barzinho, Pablo cuidava da comida, e eu do caixa, conseguimos até um bom número de clientes, porém, alguns ainda tentavam me enganar, conseguir alguns reais, alguns diziam que o troco estava errado, ou que não tinham pedido tal coisa, achavam que podiam me enganar só por causa da minha língua.
         Com o tempo, fechamos o bar e abrimos um restaurante, Pablo era um bom cozinheiro, e eu apesar de ainda ter o sotaque, já falava mais corretamente. O restaurante estava progredindo rápido, em pouco tempo, já tínhamos garçons e outros cozinheiros, e uma boa fama na cidade.
         Infelizmente, o sucesso não atrai apenas clientes, um dia, Pablo ficou até mais tarde no restaurante, e, ao sair, foi atacado e morto por dois assaltantes enquanto fechava as portas. Com a perda do principal cozinheiro, o restaurante foi perdendo clientes, funcionários saíram, acabei sozinho, sem meu melhor amigo, não sabia o que fazer, me sentia perdido.
         Então, tive uma ideia, me lembrei das minhas raízes, da minha família no nordeste, e decidi, ia continuar com o restaurante, mas ia fazer dele um restaurante especializado em comida nordestina
         A mudança fez bastante sucesso, em pouco tempo o restaurante já tinha voltado a ser como era antes, e eu, continuei trabalhando lá por muitos anos. Agora, com licença, tenho que ir trabalhar.

Um comentário:

Unknown disse...

oi gente, o blog está bem legal...podem colocar mais textos sobre os gostos pessoais de vocês.